Nós, os outros.
Ela havia escrito o bilhete, deixado cair e enfiado por baixo da porta com o pé.
A outra ainda estava lá. Romeo veria o papel marrom da padaria. Teria.
Desgrenhada e de cócoras, pôs-se a gargalhar da outra ao pé da porta.
Patética, criatura... o mundo a tua volta e tu te curvas a princípios bobos...
ah! quantas possibilidades, quantos corpos, dentes perfeitos, conversas vãs...
tu sim, podias aproveitar mais tudo isso, rolar pelo chão e sobre os outros, divertir-se...
o que é a vida além do devaneio e da doce delícia do despropósito e da irresponsabilidade?
Aliás, não é disso que falam os poetas?
(... podem preparar milhões de festas ao luar, que não vou ir, melhor nem pedir, eu não vou ir, não quero ir...).
Silêncio.
Não mude a música. E é melhor você ir andando q...
Já sei, o pulha vem vindo... Não se lamurie mais, que eu cansei de perder meu tempo com você...,
também não vá ficar feliz, porque estou sempre por perto
e bem quando você voltar a se encantar com as cores do mundo,
eu volto aqui pra te lembrar que o que existe é luz, retina e globo ocular.
...Pensando bem acho que você devia ficar aqui, com ele hoje no meu lugar...
Não, não... ele hoje volta bonzinho e o que preciso é puramente sexual,
prefiro o namorado daquela sua amiga sabe?
Você me dá nojo!
Você também, querida... tchauzinho!
Rodou a chave na fechadura, abriu a porta, rasgou o papel marrom em pedaços pequenos
e juntou com a pá, claro.
Romeo!
Demorei? Tava um trânsito horrível... tem festa na cidade inteira, muita gente no meio da rua...luzes...
Não, demorou não. Entra, tava te esperando... (acho... ei Romeo, é você mesmo? Ou é o outro?).
Escrito por Veruzza às 11:19:04
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